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O que 40 colheres de açúcar podem fazer com você

Sob a orientação de cientistas e nutricionistas, o ator australiano Damon Gameau embarcou em uma dieta rica em açúcar, ingerindo 40 colheres de chá desse elemento por dia, durante dois meses. O problema é que ele fez isso sem consumir qualquer refrigerante, chocolate ou sorvete. Gameau só ingeriu alimentos considerados “saudáveis”. Além de mostrar os efeitos do açúcar sobre o seu próprio corpo, o documentário debate a indústria alimentícia, que cada vez mais manipula seus produtos ao invés de promover a conscientização.

Um novo documentário chamado “That Sugar Film” visa educar sobre os perigos do consumo de muito açúcar, que podem ser encontrados em cerca de 80% de todos os alimentos que estão nos supermercados.

O ator-diretor, Damon Gameau, que gravou seu documentário depois de ter feito o “Super Size Me”, filme de 2004 que ele consumiu uma dieta feita só com lanches do McDonald por 30 dias.

Em “That Sugar Film”, ​​Gameau desistiu de sua dieta normal de alimentos frescos por dois meses para ver o que acontece quando ele faz uma dieta contendo 40 colheres de chá de açúcar por dia, a quantidade média consumida por um australiano, que não está muito longe das 28 colheres de chá consumidas diariamente em média pelos adolescentes americanos. A diferença é que Gameau evitou refrigerante, sorvete, doces e outras fontes de açúcar. Em vez disso, ele consumiu alimentos ditos como “saudáveis” que são frequentemente carregados com açúcares como iogurte desnatado, suco de frutas e barras de cereais.

Gameau descobriu que sua saúde e cintura ficaram rapidamente fora de controle. O documentário tenta mostrar a ciência do açúcar de uma forma favorável ao consumidor, tendo participações especiais de Hugh Jackman, Stephen Fry e outras personalidades.

Graças ao filme, apenas no mês passado, o governo federal dos Estados Unidos propôs uma nova regra que exigirá rótulos nutricionais com detalhes sobre adição de açúcares, medida essa que tem enfrentado resistência da indústria de alimentos.

Confira a entrevista com o diretor/ator Damon Gameau, feita pelo The New York Times, sobre por que ele fez o documentário, o que ele aprendeu ao longo do caminho e por que acredita que o açúcar – apesar de sua crítica – não é o vilão da história.

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TNYT: Por que você fez esse documentário?

DG: Ele surgiu, porque eu estava percebendo um conflito que havia na imprensa sobre o açúcar. Eu li um artigo dizendo que ele é tóxico e venenoso. Então, no dia seguinte, eu li outro artigo dizendo que o açúcar fazia bem e que precisamos dele para nos dar energia. Eu pensei que a única maneira de descobrir a verdade era ter uma experiência e montar uma equipe de médicos e cientistas para falar sobre o assunto. Apesar de alguns dos médicos falarem que eu era louco, pensei que consumir uma grande quantidade de alimentos como iogurte desnatado e suco de laranja, seriam saudáveis.

TNYT: Aconteceu exatamente isso?

DG: As coisas começaram a mudar, porque ganhei muito peso rapidamente. Após 18 dias, eu desenvolvi sinais de gordura no fígado, foi quando começamos a explorar muito mais da ciência no documentário e, em seguida, fomos à procura de pessoas para entrevistar e pesquisar histórias para contar no That Sugar Film.

TNYT: Você estava concentrando-se em alimentos ditos como saudável, pode falar sobre isso?

DG: Sim, esses são os alimentos conhecidos como saudáveis em seus rótulos. Esse é o foco de todo o documentário. Se eu tivesse comido donuts de chocolate e refrigerantes, nós já saberíamos o que teria acontecido comigo. Mas, o fato de que isso aconteceu quando eu estava seguindo a dieta de baixa gordura foi surpreendente.

TNYT: Você acha que as pessoas acreditam nos rótulos dos alimentos e suas indicações?

DG: Sim, existe um estudo feito na Austrália que constatou que 55% das pessoas receberam conselhos de nutrição nos rótulos dos alimentos, em comparação com apenas 25% que receberam suas dicas de um nutricionista. As pessoas estão levando ao pé da letra o que os produtos estão dizendo. Estamos incentivando as pessoas a transformar os rótulos, olhar para o teor de açúcar, ver por meio do marketing e os slogans e realmente assumir o controle do que estão consumindo.

TNYT: Qual era a sua dieta antes do início do documentário?

DG: Eu me mantinha longe dos alimentos processados, comendo ovos no café da manhã, gorduras saudáveis ​​como abacate e tinha no meu lanche nozes e um pouco de queijo. Eu consumia muitas frutas, legumes e fontes de proteína, como peixes.

TNYT: Como isso mudou durante o documentário?

DG: Eu troquei tudo isso pelos carboidratos refinados como cereais, iogurtes com baixo teor de gordura e suco de maçã, que seria o meu café da manhã em vez de ovos e abacate. O almoço seria de massas com molho de tomate ou alguns legumes ou peixe com um molho teriyaki ou algum tipo de molho que tinha adicionado açúcares nele.

TNYT: Qual foi a mudança mais surpreendente que você percebeu?

DG: A minha ingestão de calorias não se alterou. O que eu comia antes – como abacate, nozes e outros alimentos – eram ricos em calorias. Então, eu continuei a ingestão do mesmo número de calorias. Mas, na dieta com todos os açúcares adicionados, eu estava comendo muito mais. Nunca me senti tão cheio e isso estava afetando o meu humor. O que eu aprendi foi que esse processo estava provocando insulina e todos os tipos de hormônios que armazenam as gorduras no meu corpo.

TNYT: O documentário foi lançado pela primeira vez na Austrália. Qual foi a repercussão que teve por lá?

DG: Eu não recebi tantas críticas como pensei que iria acontecer. Em vez disso, grandes empresas que dependem do açúcar, escreveram-me dizendo: “Podemos exibir o seu documentário para os nossos funcionários? Queremos falar sobre como podemos melhorar esse quadro”. Eles sabem que o açúcar tem sido muito discutido e que precisamos mudar nossa alimentação. A ciência é irrefutável agora, eles sabem que há um movimento. Estão se esforçando para fazer substituições de açúcar, por produtos mais saudáveis: Isso é o capitalismo. Querem dar ao público o que eles desejam. Eles vão sobreviver e assim ter que se adaptar. Eu acho que nós só precisamos ter cuidado com o que eles vão substituir pelo açúcar.

TNYT: O que os críticos disseram?

DG: Alguns críticos odiaram, porque não é um documentário típico. Mas, nós não fizemos isso para os críticos. Fizemos isso para o público em geral, porque as pessoas precisam desta mensagem.

TNYT: Há algumas pessoas que dizem que o açúcar é o mais recente bode expiatório dietético, como gordura e colesterol antes dele que foram os vilões também. O que você pensa sobre isso?

DG: Eu acho que eles estão certos. Eu não acho que nunca se deve tornar um nutriente como um vilão. Mas, quando um único nutriente está em 80% de todos os alimentos, precisamos olhar para ele. A discussão não é apenas sobre a colocação de açúcar em seu chá ou café. É por causa de toda a nossa oferta de alimentos e que as pessoas estão consumindo muito açúcar. Eu acho que a maioria dessas pessoas não percebe o quanto eles estão consumindo. Nós não estamos tornando o açúcar um vilão, estamos apenas mostrando onde ele está escondido. Há pessoas que consomem a sua barra de chocolate ou sorvete no final do dia, sem perceber que eles comeram 40 colheres de chá em outros alimentos durante todo o dia.

TNYT: Você acha que essa mensagem está em todo o documentário?

DG: Nós dizemos no final do filme que o açúcar não é a única causa para a obesidade. Há uma série de outros fatores. Mas, a ciência está dizendo agora que ele é uma peça desse jogo. Portanto, não há risco na redução da ingestão de açúcar. Isso é tudo o que estamos dizendo. Você não tem que parar com isso, não tem que proibir. A quantidade excessiva desse ingrediente pode te prejudicar.

TNYT: O que aconteceu depois que você parou de comer todos os alimentos processados?

DG: Quando eu voltei a beber apenas água e comer alimentos novamente, o peso caiu e todos os meus sintomas foram embora. Eu acho que nós precisamos simplificar as coisas. Fique ligado no supermercado onde estão todos os alimentos frescos.

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TNYT: Que tipo de impacto teve o documentário até agora?

DG: Há centenas de pessoas que escrevem para mim e dizem que o documentário mudou suas famílias ou atitudes de seus filhos em relação à comida, isso é muito animador. Nós desenvolvemos um guia de estudo para as escolas que foi estendido a 1.000 delas na Austrália. Há um grupo no Reino Unido que quer colocá-lo em 12 mil escolas. Obter esse tipo de apoio tem sido muito inspirador.

TNYT: Você tem uma filha que possui dois anos de idade. É difícil lidar com a questão do açúcar como pai de uma criança pequena?

DG: Falamos sobre isso o tempo todo porque, obviamente, nós não queremos que o açúcar vire vilão e que isso deixe a nossa filha com um transtorno alimentar. Mas, o que aprendemos no nosso tempo muito curto como pais, é que as crianças querem copiar o que os adultos fazem.

Você gostou da entrevista de Damon Gameau? Diga-nos o que achou!

Fonte: The New York Times e Adoro Cinema com adaptação Bom Corpo.

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